Menorca
Planear viagem

Festival Cranc: Indie, Gin com Limão e Sustentabilidade no Porto de Maó

Setembro é, sem dúvida, a melhor altura para aterrar em Menorca. A loucura de agosto já passou, a água do Mediterrâneo continua a uns agradáveis 24 graus e é exatamente a meio do mês que acontece o Festival Cranc. Esqueçam os recintos poeirentos e massificados de outros festivais de verão. Aqui, o palco fica montado na Cala Figuera, bem no interior do profundo e serpenteante porto de Maó. O som bate nas paredes de rocha e volta, criando uma acústica improvável.

A desvantagem desta localização? Estacionar lá em baixo nas noites de festival requer uma paciência monumental. A melhor opção é mesmo deixar o carro na parte alta da cidade e descer a pé, ou usar os autocarros partilhados que a organização costuma promover.

O cartaz do Cranc não vive de nomes mastigados pela rádio comercial. Há uma mistura muito bem medida entre bandas indie espanholas (nota-se sempre uma forte presença da cena de Barcelona e Madrid), talentos internacionais e malta que está agora a começar nas Ilhas Baleares. Nota-se também um esforço genuíno para equilibrar o cartaz entre homens e mulheres — algo que muitos eventos prometem no papel, mas que o Cranc efetivamente cumpre na curadoria. Estar ali de pé no piso irregular da cala, com uma pomada na mão (a mítica mistura menorquina de Gin Xoriguer com limonada, que vos vai custar uns 6 ou 7 euros no bar), a ouvir uma banda emergente com os veleiros ancorados ao fundo, tem um encanto muito próprio.

Como o recinto fica colado à água numa zona sensível, a organização leva a questão da sustentabilidade a sério, em linha com a Agenda 2030, e não apenas como manobra de marketing. Trabalham de perto com a associação local Per La Mar Viva. Na prática, isto traduz-se em zero plásticos descartáveis. O sistema de copos reutilizáveis funciona, as zonas de reciclagem estão bem sinalizadas (e a equipa garante que são usadas corretamente) e há um apelo constante para não sobrecarregar as margens da enseada com lixo ou viaturas.

Se viajarem com miúdos, não precisam de ficar no hotel. O espaço Cranc Kids funciona dentro do recinto e tem atividades a sério, e não apenas um insuflável atirado para um canto. É comum ver as crianças a desenhar ou a participar em oficinas pedagógicas com materiais reciclados, muitas delas com aqueles auscultadores coloridos de proteção auditiva, enquanto os pais conseguem, finalmente, ver um concerto do princípio ao fim a poucos metros de distância.

Os bilhetes costumam desaparecer rápido assim que o verão arranca. Um passe geral para os três dias acaba por compensar muito mais do que as entradas diárias (que costumam rondar os 25€ a 30€, dependendo da fase de compra). Comprem diretamente no site oficial assim que as datas de setembro forem confirmadas. E um último conselho prático: levem um casaco leve. O vento húmido que entra pelo porto de Maó de madrugada é traiçoeiro, mesmo depois de um dia em que os termómetros passaram dos trinta graus.