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Menorca de Lés a Lés: A Volta Cicloturista Internacional

Esqueçam os postais de praias desertas e águas tranquilas. Se forem a Menorca em meados de outubro para participar na Volta Cicloturista Internacional, a primeira coisa que vão notar não é o mar. É a Tramuntana — aquele vento norte implacável que varre as Ilhas Baleares e nos faz arrepender de não ter enfiado um corta-vento mais robusto na mala. Ainda assim, este evento de três dias é, de longe, a forma mais honesta de percorrer e compreender a geografia da ilha.

Não esperem uma corrida desenfreada. A organização da Associação Cicloturista de Menorca desenha o evento como um encontro de fim de época, onde o pelotão prefere dar ao pedal em amena cavaqueira do que olhar para o cronómetro. A rota afasta-se inteligentemente do trânsito intenso da estrada principal, a Me-1. Em vez disso, vão dar por vocês a rolar por vias secundárias estreitas, como o histórico Camí d’en Kane, onde o asfalto é por vezes rugoso e invariavelmente ladeado pelos intermináveis muros de pedra seca típicos da paisagem menorquina.

Numa das etapas, a partida faz-se do porto de Mahón. O vento matinal junto à água gela os ossos e, aviso já, um café expresso rápido no terminal marítimo vai custar-vos uns exagerados 2,50€. Dali, o percurso estende-se até às ruas de pedra de Ciutadella, no extremo oposto da ilha. Noutro dia, a rota aponta ao centro geográfico do território, entrando na povoação de Es Mercadal.

É precisamente de Es Mercadal que arranca a subida ao Monte Toro. Com apenas 358 metros de altitude, a elevação parece inofensiva no papel. A realidade é bem diferente. São cerca de três quilómetros com rampas que chegam aos 10% de inclinação. As pernas queimam, e as mudanças na bicicleta de aluguer (se optarem por alugar na ilha, reservem em lojas locais como a Velos Joan com meses de antecedência) parecem nunca ser leves o suficiente. Lá no alto, o vento castiga ainda mais, mas a ausência de prédios altos permite ver a ilha inteira, justificando o estatuto de Reserva da Biosfera.

As paragens de abastecimento ignoram por completo os géis energéticos industriais. Nas bancas, encontram meias luas de massa incrivelmente densas recheadas de carne ou queijo — as famosas formatjadas. Custam cerca de 2€ numa padaria qualquer da vila, mas aqui são distribuídas aos ciclistas. Servem perfeitamente de combustível, embora pesem no estômago nas subidas da hora seguinte.

O ritmo do grupo é controlado na maior parte do tempo. Há opções de corte no percurso para quando as pernas cederem mais cedo, e o carro-vassoura recolhe quem furar pela segunda ou terceira vez. À noite, a organização promove jantares comunitários onde invariavelmente aparece o olíaigua, uma sopa tradicional de tomate servida com figos. Se quiserem a famosa caldereta de langosta para celebrar o final da prova, preparem a carteira. Em restaurantes conceituados de Ciutadella, uma dose dificilmente fica por menos de 75€.

As inscrições abrem geralmente no início do verão no site oficial e esgotam depressa. O bilhete ronda os 70€ e inclui seguro, assistência mecânica e os tais abastecimentos pesados, mas reconfortantes. Se viajarem de barco a partir de Barcelona, fica o conselho: os ferries da Balearia têm uma tendência crónica para chegar atrasados. Planeiem chegar a Mahón na quinta-feira anterior à prova para evitar correrias de última hora com a montagem da bicicleta. Depois, é só lidar com o vento.