Fui a s’Albufera des Grau numa tarde de vento forte. A estrada para norte vai ficando cada vez mais estreita e ladeada por muros de pedra. De repente dás por ti rodeado apenas por arbustos baixos e pássaros que habitam o parque natural. É neste cenário isolado que fica a Vinya Sa Cudia. Eles produzem vinho dentro da Reserva da Biosfera de Menorca. Cumprem regras ambientais muito restritas para manter a certificação. Mas o resultado na garrafa compensa o esforço.
A herdade dos irmãos Martínez Jover
O terreno pertencia à família há várias décadas. O Dr. Andrés Martínez Jover e os irmãos herdaram a propriedade Sa Cudia Nova e decidiram mudar o rumo das coisas. Arrancaram as silvas e plantaram videiras num solo duro. São sete hectares de terra onde as máquinas grandes não entram. O trabalho acaba por ser quase todo manual. E as costas sentem isso no fim dos dias de vindima em setembro.
Agricultura sem rega
Não penses em sistemas de irrigação modernos. Aqui pratica-se agricultura de sequeiro puro. As normas do parque proíbem intervenções pesadas no ecossistema e a água doce é um recurso caro na ilha. As plantas sobrevivem apenas com a chuva que cai no inverno. O stresse hídrico durante o mês de agosto é brutal. As raízes são obrigadas a escavar fundo na rocha para encontrar humidade, o que diminui drasticamente a quantidade de uva colhida. A compensação vem depois na concentração de minerais e no sabor intenso que passa para o mosto de forma muito direta.
A malvasia e os tintos
A uva principal da casa é a malvasia. O Favaritx Blanc é o vinho branco mais simples que eles fazem. Desce muito bem. Combina na perfeição com os queijos curados de vaca que encontras nos mercados locais.
Depois tens o Sa Cudia. Usa a mesma casta branca mas estagia em barricas de carvalho francês durante alguns meses. A textura fica mais oleosa e o sabor ganha um peso completamente diferente na boca.
Eles também arriscaram no cabernet sauvignon para criar o Favaritx Tinto. Plantar uma casta internacional sob o sol de Menorca parecia uma ideia arriscada. Resultou num vinho escuro com taninos surpreendentemente suaves que pede comida de tacho.
Não apareças sem avisar
O portão verde de entrada costuma estar fechado a cadeado. A Vinya Sa Cudia não tem uma sala de provas com horários fixos nem funcionários à espera de turistas. Se conduzires até lá por impulso ficas a olhar para a vedação. Tens de telefonar ou enviar mensagem com dois dias de antecedência para combinar a visita. Eles organizam as coisas à medida e acompanham-te pelas vinhas para explicar o processo, passando pelos muros de pedra seca que delimitam os talhões mais antigos onde o trator não consegue virar. O sinal de telemóvel na zona da reserva falha bastante. Grava o mapa offline antes de saíres de Mahón.
Fotografia cedida pela Fundació Foment del Turisme de Menorca
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