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Rota Britânica de Menorca: a herança de três ocupações

Museo Militar de Menorca

Vais a Menorca à procura de praias e água quente. É o normal. Mas o século XVIII deixou lá três períodos de domínio britânico que mudaram a ilha radicalmente. Maó e Es Castell serviram de base principal à Royal Navy. Vês arquitetura georgiana em ruas estreitas de pedra. Bebes gin local destilado a poucos metros do mar e andas em estradas que não faziam qualquer sentido no Mediterrâneo daquela época. Seguir estas marcas é a melhor forma de entender o terreno que estás a pisar.

Arquitetura Georgiana e a Marca da Royal Navy

O relógio da Câmara Municipal (Ajuntament) na Plaça de la Constitució foi oferecido pelo governador Richard Kane. Custou-lhe uma pequena fortuna na altura a mandá-lo vir de barco desde Londres. Caminhas pelo centro histórico de Maó e reparas em dezenas de janelas de guilhotina. Algumas varandas de ferro forjado parecem coladas à força num cenário espanhol. A Golden Farm é a casa que chama mais a atenção a norte do porto. Os governadores britânicos usavam esta propriedade isolada para passar o verão longe da poeira da cidade. A lenda local garante que o almirante Nelson se encontrou lá com Lady Hamilton numa terça-feira de calor abafado no final do século XVIII.

Xoriguer: O Gin de Menorca com Alma Britânica

Os marinheiros da armada inglesa queriam genebra. Como os portos locais não a tinham, começaram a destilar licores diretamente nos cais de Maó com os ingredientes que conseguiam arranjar. A Destilería Xoriguer continua a fazer exatamente isso. Os alambiques de cobre velhos trabalham apenas com bagas de zimbro e álcool de uva. Entras na loja perto da água e o cheiro a botânicos é espesso. Pede uma Pellofa no balcão. É a mistura tradicional de gin local com limonada, servida com gelo até ao topo do copo.

Toponímia e a Herança dos Nomes

A vila de Es Castell nasceu com o nome de Georgetown. O rei Jorge III patrocinou a fundação e as ruas foram desenhadas a régua e esquadro mesmo à entrada do porto para facilitar o fogo de artilharia. A praia principal ainda se chama Cala Corb. Vem da palavra inglesa “cove”. Um pouco mais ao largo tens a Illa del Rei. Que os marinheiros chamavam Bloody Island por causa do chão pegajoso do hospital militar ali montado à pressa. E na Punta de Sant Carles fica o forte militar.

As Estradas que Uniram a Ilha

Demorava-se dias a cruzar a ilha por terra batida. O governador Richard Kane fartou-se da lentidão logística e ordenou a construção de um caminho direto entre Maó e Ciutadella. O Camí d’en Kane tem 45 km e rasga o interior sem grandes desvios. Foi desenhado propositadamente para movimentar tropas de infantaria pesada. Acabou por servir sobretudo para os agricultores escoarem queijo para os mercados das pontas da ilha. Hoje ainda conduzes em alguns troços alcatroados desta via. Os buracos na zona central perto de Mercadal dão cabo dos amortecedores de qualquer carro alugado.

A arquitetura militar e as garrafas de gin verde continuam a fazer parte dos dias de Menorca. Os locais agarraram nestes restos de império e adaptaram tudo à sua própria rotina. Pedes um copo ao fim da tarde e percebes logo isso. E a verdade é que sabe muito melhor ali, sentado num muro baixo a olhar para os barcos a entrar no porto enquanto o sol desce na linha de água.

Dados técnicos: Rota Britânica de Menorca: a herança de três ocupações, Fundació Foment del Turisme de Menorca.