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Fuerte Marlborough (Es Castell)

Cala de Sant Esteve fica no extremo leste de Menorca. Conduzes até à ponta da ilha e a primeira coisa que notas é a ausência de grandes muralhas. O Forte Marlborough está escavado diretamente na rocha calcária, praticamente invisível a partir do mar. Os britânicos construíram a base original por volta de 1720 para proteger a entrada do porto de Mahón. A estrutura afunda-se no solo em vez de se erguer sobre a paisagem. Faziam isto para controlar à força as rotas comerciais do Mediterrâneo, que passavam todas por aquele canal estreito.

De Churchill à cantiga infantil

O nome homenageia Sir John Churchill, o primeiro Duque de Marlborough. Os franceses detestavam este comandante de tal forma que inventaram a música “Mambrú se fue a la guerra” para festejar uma falsa notícia da sua morte em combate. A melodia espalhou-se. Hoje, a estrutura que herdou o seu nome guarda corredores de pedra e uma pesada história militar. A guarnição passava os dias debaixo da terra. Suportavam a humidade constante durante os meses de inverno sem ver grande luz do sol.

Engenharia de trincheira

Desces os degraus da entrada e a temperatura cai de imediato. Lá dentro estão uns confortáveis 18 graus, o que sabe bem se visitares a ilha numa tarde de agosto. A arquitetura foca-se apenas na eficácia de combate. Os túneis escuros formam um anel completo em redor de um recinto central rebaixado. Se a infantaria inimiga conseguisse penetrar no fosso, ficava presa num espaço aberto sem cobertura. Os soldados britânicos disparavam das galerias laterais através de buracos estreitos na rocha. Sem ponto de fuga. Um modelo de defesa brutal que não dava hipóteses aos atacantes.

Ataques de França e Espanha

A fortaleza aguentou cercos violentos. O Duque de Richelieu liderou a força francesa que tomou o complexo em 1756. A coroa espanhola recuperou o controlo da zona em 1781. A defesa nestas ocasiões dependia de um grupo diminuto de homens. Cerca de 50 soldados e 15 artilheiros tentavam travar navios e regimentos inteiros. O edifício que exploras agora resulta de trabalhos de engenharia de 1798. Os britânicos refizeram parte das fundações pouco antes de perderem a ilha para sempre.

O circuito lá dentro

Caminhas pelas galerias enquanto um sistema de som simula o ruído de explosões e as ordens dos oficiais. Os altifalantes já têm alguma estática. Isso acaba por tornar o ruído ainda mais confuso nos túneis mais apertados. Projeções simples nas paredes mostram as fardas e o armamento da época. E o cheiro a terra molhada acompanha-te até à saída.

O estacionamento e a descida

Os lugares para o carro junto à água em Cala de Sant Esteve são exclusivos para os moradores. Ignora a ideia de conduzir até ao fim da estrada. O parque de terra batida fica na zona alta, não se paga e tem espaço para umas trinta viaturas. Daí até à porta do forte demoras uns dez minutos a pé. O caminho em calçada desce de forma bastante inclinada. Leva ténis ou sapatos que não escorreguem. A subida no regresso custa bastante mais, especialmente depois da hora de almoço, quando o sol bate direto na ravina. Consegues fazer a visita completa numa hora. Depois pegas no carro e arrancas para a praia seguinte.

Fotografia cedida pela Fundació Foment del Turisme de Menorca