Fica nos arredores de Maó. Vais conduzir por uma estrada ladeada de muros de pedra seca até o pó branco cobrir os pneus do carro alugado. A Son Cremat produz vinho numa ilha onde quase toda a gente só pensa em praias e copos de gin ao final da tarde. A família dona do terreno decidiu plantar videiras numa área de calcário que nunca tinha sido cultivada. E o resultado bebe-se hoje numa produção minúscula.
Plantar num solo intocado
Demorou anos até a primeira garrafa ver a luz do dia. Arrancar com vinhas do zero obriga a muitos testes com o clima agressivo das Baleares. Fazem a vindima à mão para caixas pequenas e o vinho estagia depois em cubas de inox vulgares. Quiseram manter o processo o mais básico possível para não encobrir o sabor da uva. A verdade é que podiam ter comprado terra já preparada mas preferiram fazer o caminho mais longo e difícil que acabou por definir o sabor exato do que tens no copo.
O peso da pedra e as 3.000 garrafas
São apenas 5 hectares de terreno plano. O chão é puro calcário branco que reflete o sol de verão diretamente para as folhas. Como a terra nunca levou outras culturas antes, as uvas ganham uma salinidade forte. Sabes logo que estás a beber algo que cresceu a poucos quilómetros do Mediterrâneo. Só conseguem tirar umas 3.000 garrafas anuais desta parcela. Se passares por lá em meados de setembro vais perceber a azáfama porque o stock esgota depressa nos restaurantes das redondezas.
Chardonnay e Moscatel
Só fazem vinho branco. Esquece os tintos pesados. Focaram-se em duas castas que aguentam bem a falta de água e o vento constante.
O Chardonnay
Tem uma cor palha muito clara. O cheiro atira logo para ananás e um travo amargo a toranja. Na boca corta a sede porque a acidez é alta e afiada. Pede comida a acompanhar. Uma garrafa destas desaparece rapidamente se a abrires com um peixe grelhado ao almoço.
O Moscatel
É um vinho floral. Cheira a flor de laranjeira e a fruta madura mas sem ser doce enjoativo. O final de prova aguenta-se imenso tempo na boca. Fica bem com lulas à menorquina ou qualquer prato de tacho que vá pra mesa com bastante azeite.
Como marcar a visita
O portão principal passa facilmente despercebido na berma da estrada se conduzires com pressa. Tens mesmo de telefonar a marcar com antecedência. Quem aparece de surpresa costuma dar com a porta trancada porque os donos estão a trabalhar no campo. Perto do final do verão eles costumam envolver-se na vermada local. O ambiente enche-se de gente das aldeias vizinhas e o barulho das caixas de plástico a bater mistura-se com o calor abafado de agosto.
Fotografia cedida pela Fundació Foment del Turisme de Menorca
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