O porto natural de Maó tem quase seis quilómetros de comprimento. Quando entras de barco, percebes logo o motivo de tanta guerra por este pedaço de terra no Mediterrâneo. Forças espanholas e tropas britânicas passaram séculos a erguer paredes de pedra maciça para proteger esta entrada marítima exata. Mais tarde, os franceses fizeram o mesmo. Não há areia branca nesta parte da costa. Há penhascos cortados a pique e ruínas militares que ocupam quarteirões inteiros.
As Defesas Contra a Ameaça Pirata
No século XVI, viver nesta ilha significava dormir com um olho aberto. Os ataques de corsários berberes eram a rotina diária. A Coroa espanhola respondeu com o Castell de Sant Felip logo na entrada sul de Maó. A construção começou em 1554 e arrastou-se durante décadas. O resultado foi um labirinto de túneis subterrâneos escavados na rocha que precisava de centenas de soldados a viver na escuridão para funcionar. Mais a norte tens a Fortalesa de la Mola. Os velhos canhões ainda apontam ao mar. E o vento ali em cima numa tarde de novembro corta a cara.
O Domínio Britânico e a Fortificação do Porto
Os britânicos tomaram conta do território em 1708. Começaram rapidamente a fechar todas as pontas soltas à volta da baía. Construíram o Forte Marlborough do lado oposto de Sant Felip. A estrutura semicircular fica parcialmente debaixo do solo e obriga-te a descer para corredores escuros onde a humidade entranha nos ossos logo nos primeiros cinco minutos. Há também a Illa del Rei mesmo no meio da água. Ali funcionava o hospital militar. Um barco pequeno faz a travessia a partir do cais principal em cerca de quinze minutos, dependendo da maré e da paciência do condutor. Foi a partir destas bases que tentaram segurar a ilha. Perderam o controlo em 1756 num ataque rápido francês que provou que as muralhas gigantes nem sempre funcionam na prática.
As Torres de Vigia
Vais cruzar-te com construções de pedra redondas e isoladas se conduzires pela periferia de Menorca. São as antigas torres de comunicação. A Torre d’en Penjat e a Torre de Sant Nicolau comunicavam através de sinais de fumo de dia. À noite usavam fogueiras. O sistema servia para avisar as povoações do interior que vinham aí navios inimigos. Estacionar perto de Sant Nicolau (em Ciutadella) numa tarde de agosto é um pesadelo absoluto. Os lugares são poucos e os carros de aluguer ocupam as bermas inteiras até à estrada principal. Mas a vista lá de cima compensa a caminhada no alcatrão quente. Dá para ver quilómetros de água e perceber exatamente porque escolheram aqueles pontos altos.
Como Explorar os Fortes Hoje
O Forte Marlborough exibe uma projeção de vídeo nas paredes interiores que explica o assalto francês. Dura uns dez minutos e ajuda a visualizar o caos militar da época. A Fortalesa de la Mola exige pelo menos duas horas de visita. Leva água na mochila. O percurso exposto ao sol na muralha principal não tem qualquer sombra e a cafetaria lá dentro costuma fechar cedo às quartas-feiras. O Castell de Sant Felip só tem algumas zonas abertas ao público atualmente. Dá para ter uma noção da escala absurda do fosso original. Explora as partes subterrâneas com calma e leva um casaco leve, mesmo que estejam 30 graus lá fora.
- Castillo de San Felipe (Es Castell) — a maior fortaleza jamais construída em Menorca, erguida pela coroa espanhola para defender a entrada do porto de Maó.
- Fuerte Marlborough (Es Castell) — forte britânico escavado diretamente na rocha em Cala de Sant Esteve, na década de 1720.
- Fortaleza de La Mola (Mahón) — uma das maiores fortalezas da Europa do século XIX, construída sob o reinado de Isabel II.
- Castillo de Santa Águeda (Ferreries) — ruínas de uma fortaleza de origem muçulmana, o último bastião menorquino a cair perante a conquista cristã.
- Torre de Fornells (Es Mercadal) — torre de costa que vigia a entrada da baía de Fornells.
- Bastión de la Fuente (Ciutadella) — parte das antigas muralhas defensivas da cidade, hoje integrado no Museu Municipal.
Dados técnicos: Rota Fortificada de Menorca: castelos, fortes e torres de costa, Fundació Foment del Turisme de Menorca.
